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Archive for the ‘Momento revolta’ Category

Boicote às montadoras de veículos

Nas últimas semanas, tenho pesquisado preços de carros zero quilômetro para efetuar uma compra. Vou descrever a jornada com detalhes e espiadas em meus pensamentos ao longo da pesquisa.

Antes de mais nada, logo pensei: “Pode haver melhor momento que este?“. A mídia está em alvoroço por causa das bancarrotas que podem ocorrer com as gigantescas montadoras de veículos. Esperando um pouco de inteligência por parte dos envolvidos no preço final de um automóvel, logo previ uma queda brusca nos preços abusivos e fornecimento de condições humanas de pagamento, sem as taxas ridículas que podem chegar a 100%a.a. num país onde a economia (sem índices mentirosos e outras balelas governamentais e midiáticas) cresce em média 8%a.a. e às vezes nem isso é repassado aos assalariados.

Ledo engano. Demonstrando uma lógica capitalista patética e digna de chacota, as partes interessadas na venda de veículos continuam rotulando os consumidores de palhaços, e enquanto estes se comportarem como tal, nunca assumirão seu papel verdadeiro que é o de comandante do espetáculo.

Nesses momentos em que a tal crise é alardeada, o coletivo deve clamar por uma nova ética, novos comportamentos, entender e responder aos acontecimentos quando estes requerem uma mudança.

O preço do carro zero quilômetro no Brasil é um dos mais altos do mundo (sim, do planeta Terra, onde somos o tal país promissor e emergente, integrante do BRIC e yadda yadda). Somos integrantes do BRIC, mas somos 70º colocado em desenvolvimento humano e nos índices de corrupção estamos lado a lado com os países mais pobres e desorganizados do mundo.

Ou seja, somos uma grande mentira maquiada nesses índices X, Y e Z. Quem está vivendo aqui, sente no pêlo o que é ser esfaqueado pelo seu próprio governo através de uma enxurrada de impostos cada vez mais estúpidos e ofensivos à integridade do cidadão brasileiro assalariado, cujos frutos do trabalho de um terço do ano são repassados passivamente para este mesmo governo que nos trata como palhaços.

Um carro zero quilômetro popular (leia-se, com o mínimo de qualidade possível para ainda ser considerado um carro) está estacionado à nossa frente. Se você comprar ele à vista, ele tem um preço bem popular de 53 salários mínimos. Ou seja, o povo que recebe R$ 415,00 por mês, pode ter um carro popular mais popular de todos após não usar nem um centavo do seu salário mínimo durante 4 anos e meio.

Ouvi dizer por aí que um ser humano não sobrevive a mais de um mês sem água e comida, mas quem disse que estamos tratando de seres humanos? É bom também saber que desses 53 salários mínimos, 20 não são usados para comprar o carro. Você dá 33 para quem produziu o carro como compra, e os outros 20 vão para o governo.

Pensando bem, acho melhor não ficar 4 anos e meio sem comer nem beber. Talvez não se chegue vivo ao final do período de economia. Vamos pensar então no financiamento. Com taxas módicas anunciadas como 0,99%a.m. mas que na verdade em média beiram os 1,50%a.m. (salve a propaganda, ainda mais quando ela é malditamente mentirosa) podemos pegar algo próximo daqueles 53 meses de economia, ou seja, um financiamento em 60 meses.

No final das contas, teremos 90% a mais no valor do carro em juros. Agora, por módicos R$688,87 durante cinco anos, todo mês, você pode adquirir o seu carro popular zero quilômetro. Você será muito mais feliz, pois de todo seu dinheiro:

  • 47,37% foi para uma instituição financeira;
  • 19,77% foi para o governo;
  • 32,86% de todo o seu dinheiro foi utlizado para pagar quem produziu o carro, e comprá-lo efetivamente.

Sim, povo assalariado. Temos um batalhão de palhaços no Brasil, e eles não são os governantes nem clones do Arrelia. Você acha que sem o tal IPI o carro popular vai ter condições de compra melhores que esta? Pasme. As contas foram feitas no menor valor de todos os carros populares após a redução.

Um Honda CRV custa cerca de R$100.000,00 na República das Bananas, também conhecida vulgarmente como Brasil. São 241 salários mínimos, ou 20 anos da renda de um assalariado do povão. Este mesmo veículo pode ser encontrado naquele tal país odiado, que adora promover uma guerra e agora tem como presidente um personagem do Mortal Kombat II (Baraka) por R$41.400,00. Sim, 58,6% mais barato e não é considerado um super carro de luxo porcaria nenhuma, pois definitivamente ele não é.

Não aceite ser humilhado, enganado e feito de palhaço pelas instituições financeiras, pelo governo e pelas montadoras de automóveis. Eles precisam de você, e não o contrário.

Você vende 8 ou mais horas do seu dia para conseguir dinheiro, e eles precisam desse dinheiro. Eles vendem carro em troca do seu dinheiro, em troca das suas 8 horas. Pense bem antes de fazer negócio com eles. Não seja estúpido. Eles estão extorquindo o consumidor, e nós estamos sendo as vítimas passivas deste ataque ético, moral e econômico.

É hora de revidar, e tirar a renda deles. Vamos ver como eles se saem com um salário mínimo por mês. Vamos ver Darwin sorrir no seu túmulo.

Um grande Amigo disse

Uma vez, um grande Amigo disse o que todos nós devemos ter sempre consciência e jamais perder de vista, para não nos tornarmos alienados a tudo aquilo que somos e representamos.

“Só você pode se destruir, os outros não têm esse poder” – Jon Levischi

Ele está vivo também nas interwebs. Visitem Jon Levischi Official Website.

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Lugar errado, jovem padawan

De uma vez só o mundo consegue me surpreender, e não existe quase nada que você possa me dizer para acalmar minha mente. Pra onde se pode correr, se tudo está sempre à sua volta, e o sentimento vai e volta, aquele sentimento que nós não temos controle sobre nada. Ao redor do sol, alguns dizem que tudo será um inferno de novo, outros dizem que ainda é cedo demais pra saber, eles dizem que não existe mistério nenhum.

E nós ficamos nos perguntando se realmente somos fortes o bastante, há coisas demais das quais temos orgulho demais, sempre temos orgulho demais, orgulho demais…

Eu quero tirar o medo da experiência debaixo do seu pé, nós poderíamos resolver ele, poderíamos plantar novas sementes. Vamos observá-las crescer, e a cada batida do seu coração as raízes vão ficar mais fortes, e os galhos vão crescer, mas o que será que os galhos querem alcançar? Ninguém sabe responder.

Mas debaixo disso tudo, há este coração solitário que não sabe como vai ser na hora que acabar, e não vai demorar muito. Às vezes parece que o coração definitivamente não é um bom lugar pra se inspirar a escrever.

Existe um mundo que nós nunca vimos, ainda existe esperança permeando os sonhos, mas o peso de todas as coisas cotidianas pode destruir tudo isso com um simples sopro. Se você estiver esperando do lado de fora, não se esqueça de continuar a respirar pois conforme a escuridão aumenta, começamos a afundar enquanto tentamos alcançar o amor – pelo menos nele poderíamos nos segurar, mas eu vou me segurar em você naquele lugar onde o tempo não alcança.

Mas e quando acabar? Eu sei que não vai durar muito… Às vezes parece que o coração definitivamente não é um bom lugar pra se inspirar a escrever.

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Where the hell was Biggles?

Acho que pensar no que fazer para combater a pobreza extrema no mundo é a mesma coisa que ter delírios de heroísmo tal qual Adolfinho ou Napoleão – eles tinham objetivos diferentes, é claro. Mas estou falando do nível de delírio, e talvez da precipitação em se preocupar em resolver uma fração inerente ao sistema. Isso seria gambiarra e tem 99% de chances de dar errado mais cedo ou mais tarde.

A nossa Ordem Mundial é um grande circo onde estão cagando e andando para quem vai se foder com R$2,00 por dia. Estão cagando da mesma maneira pra quem vai receber R$3000,00 por mês e mesmo assim não conseguir entregar tudo aquilo que seria “ideal” – enquanto opinião do indivíduo – para si mesmo ou seus apêndices.

Também estão cagando e andando pros privilegiados na platéia, os quais sabem que tudo aquilo não passa de uma apresentação mas mesmo assim, não têm idéia se isso é bom ou ruim. O leão e o elefante, o palhaço sinistro e o mágico com sua assistente também recebem toneladas de merda na cabeça. O dono do circo (ou sócios) é quem dá risada de verdade, aquela risada íntima e reconfortante, por saber que ele começa e termina aquela jossa toda na hora que ele bem entender, parte daquela cidade e leva sua lona para outra, se desfaz do elefante, expulsa alguém da platéia e manda enxotar o mendigo que estava implorando por uma pipoca na fila da entrada.

Bons sonhos pra quem quiser salvar os miseráveis, mas eu não ligo realmente. A miséria, para mim, vai muito além da falta de dinheiro, da fome e do sofrimento físico ou morte consequente. A miséria está disseminada e é intrínseca ao sistema mundial, como nunca deixou de ser.

E vou embora citando um certo descendente de chinês estranho e reservado: “o jeito que seu coração bate faz toda a diferença, é o que define se você suportará a dor que TODOS nós sentimos”.

Talk about bad timing

Não consigo encontrar uma boa tradução para “bad timing“. Ela se aplica quando algo está se dando no momento errado, ou seja, quando as coisas estão fora de sincronia. Algo assim.

É quando você faz a piada na hora errada. Isto é bad timing. O problema não é a piada. Ela seria genial, mas não naquela hora. Não naquele momento.

Pensando sobre isso de uma maneira profunda, bad timing seria senão uma falta de sincronia com os acontecimentos que independem de você. Você passar na calçada pela qual você nunca andou exatamente quando o piano decide cair da mudança no 9º andar do prédio na sua cabeça é o tal do bad timing.

Dizer que o bad timing independe de um indivíduo talvez seja uma inverdade. A escolha de passar pela calçada ou de fazer a piada é do indivíduo. O problema seria então uma má leitura da situação e do momento, consciente ou não. Afinal, a boca que fala a piada e a cabeça que é atingida pelo piano pertencem a uma parte envolvida. Estando esta parte envolvida, não há como afirmar que ela não teve participação no processo do bad timing.

Eu sou uma dessas pessoas que são analfabetas na hora de ler o momento. Eu me sinto fora de sincronia com o tempo, e o hoje às vezes parece estar dançando rumba e eu, valsa. Às vezes eu piso no pé do momento, às vezes ele pisa no meu.

Quero saber onde posso tomar aulas de dança, pois não consigo nem começar a aprender a ouvir a música que está tocando. Parece que sempre estou dançando errado. Ou talvez seja apenas minha característica de preocupar-se demais com os detalhes, com o ambiente, e dedicar pensamentos demais a tudo. Eu penso, logo…