De boa na garoa
“Enquanto viver, amor e ódio farão parte do ser humano. O tempo passa, mas os sentimentos são como ondas a vibrar continuamente, ora altas ora baixas. O mundo é um contínuo marulhar. Pequenos peixes cantam e dançam, nadam espertamente ao sabor das ondas que vêm e vão. Quem no entanto é capaz de saber o que se passa nas recônditas profundezas desse mar sem fim? Quem algum dia já mediu sua exata profundidade?”
Yoshikawa consegue terminar seu romance “Musashi” com palavras que vão muito além de qualquer contexto apresentado durante seus volumosos capítulos. Em minha interpretação, é marcante a afirmação de que o tempo é incontrolável, e segue sempre em frente em linha reta, porém os sentimentos – característica humana por si só – vibram, deformando nossa percepção do próprio tempo e talvez até de nós mesmos, e sendo assim, como não afirmar que deformam a percepção do mundo à nossa volta.
Nosso ponto superficial mais fraco então seria aquele preciso momento no qual a onda dos sentimentos encontra-se em seu mais baixo ponto, sendo assim nosso ponto superficial mais forte o exato oposto. Mas, quem dirá com certeza o alcance do desvio, uma vez que ninguém jamais mediu a profundeza exata deste oceano às vezes turbulento, às vezes pacífico, que é o ser humano?