Arquivar

Archive for the ‘Livros’ Category

De boa na garoa

“Enquanto viver, amor e ódio farão parte do ser humano. O tempo passa, mas os sentimentos são como ondas a vibrar continuamente, ora altas ora baixas. O mundo é um contínuo marulhar. Pequenos peixes cantam e dançam, nadam espertamente ao sabor das ondas que vêm e vão. Quem no entanto é capaz de saber o que se passa nas recônditas profundezas desse mar sem fim? Quem algum dia já mediu sua exata profundidade?”

Yoshikawa consegue terminar seu romance “Musashi” com palavras que vão muito além de qualquer contexto apresentado durante seus volumosos capítulos. Em minha interpretação, é marcante a afirmação de que o tempo é incontrolável, e segue sempre em frente em linha reta, porém os sentimentos – característica humana por si só – vibram, deformando nossa percepção do próprio tempo e talvez até de nós mesmos, e sendo assim, como não afirmar que deformam a percepção do mundo à nossa volta.

Nosso ponto superficial mais fraco então seria aquele preciso momento no qual a onda dos sentimentos encontra-se em seu mais baixo ponto, sendo assim nosso ponto superficial mais forte o exato oposto. Mas, quem dirá com certeza o alcance do desvio, uma vez que ninguém jamais mediu a profundeza exata deste oceano às vezes turbulento, às vezes pacífico, que é o ser humano?

CategoriasLivros Tags:,

Fight Club, de Chuck Palahniuk

Hoje de manhã li as primeiras 30 melhores páginas que guardo lembrança. Vou assumir que os melhores livros que li – melhores na minha mísera opinião – tinham em suas primeiras páginas a parte mais difícil e entediante de toda a obra. Alguns apresentam caoticamente os personagens e locais, outros não apresentam nada e supõe que você já deveria saber de tudo, mas você só consegue entendê-los conforme a história se desenrola. Não é um erro, é proposital. Eu espero.

Em Fight Club (Chuck Palahniuk, 1996) a história começa de forma frenética, atemporal e caótica. A diferença de ambiente e clima do filme para o livro é gritante. O autor consegue deixar você exatamente como o personagem central: sem identidade, perdido e ao mesmo tempo, completo, vivo como cada um de nós, leitores. A intensidade dos acontecimentos e a fraqueza e franqueza dos personagens, além da crueldade e sinceridade da narrativa, deixa seu dedo com uma estranha obsessão de poder ir para a próxima página, e a próxima, e a próxima. A cada página, há pelo menos uma frase que entraria facilmente para uma coleção de citações particular – se esta existisse fisicamente.

Assim que eu terminar de ler este livro, vou comprá-lo. Estou com uma cópia estrangeira emprestada do Chapéu, meu querido ole horsefucker. Obrigado pelo empréstimo.

Estou ansioso pra saber se as primeiras 30 melhores páginas terão em breve sua descrição mudada para as 218 melhores páginas já lidas.

E foi assim que conheci Tyler.