Rubinho, o Herói

A realidade do final da temporada de 1991, com uma leve superioridade do Williams FW14, foi amplificada em 1992, onde o novo modelo Williams FW14B dominou com propriedade a temporada inteira, fazendo todos os outros bólidos parecerem carroças. Nigel Mansell a bordo do FW14B finalmente ganhou o campeonato de pilotos com uma vantagem esmagadora em cima de Patrese, companheiro de equipe, 108 a 56 e com um adiantamento assustador: em 16 de agosto em Hungaroring, faltando ainda 5 GPs para o término do campeonato.

Williams FW14B
Ayrton Senna reclamou muito durante toda a temporada de ambos os bólidos McLaren, o MP4/6B e o MP4/7A, esperando pelas melhorias prometidas. Ele só ficou esperando, pois elas nunca deram resultado algum e em certa altura, a Honda anunciou que estava se retirando da Fórmula 1. O FW14B era imbatível naquelas circunstâncias e as diferenças de aproximadamente 1 segundo deixavam Senna claramente inquieto. Ele procurou fazer contatos com Ferrari e Williams, para a temporada de 1993.

McLaren MP4/7A
Porém a Ferrari, através de Niki Lauda, foi sincera e não prometeu um carro campeão para a próxima temporada, portanto ficou fora dos planos de Senna. A Williams, após demitir Nigel Mansell logo depois da confirmação do seu título mundial, fez o anúncio da contratação do tricampeão Alain Prost para 1993. Ainda havia teoricamente uma vaga na Williams, porém uma cláusula contratual imposta por Prost não permitia a contratação de Senna como seu companheiro. Desde este ponto até o final do campeonato, Senna declarou diversas vezes que tiraria um ano sabático em 1993, porém no final das contas competiu como piloto da McLaren.
GP da China de 2008, Lewis Hamilton termina sua volta da vitória, e vem recolhendo o carro pro parc fermé. Os carros que ficaram de fora das primeiras três posições estacionam no acesso ao pit lane, e os pilotos abandonam os carros e vão andando para seus respectivos motorhomes.
Eis que, por acaso do destino, o melhor amigo de Hamilton – para os incautos, o bicampeão e recente ex-companheiro de McLaren, Fernando Alonso – é um desses pilotos que estão caminhando de volta ao motorhome. Agora vejam o “oi, amiguinho!” que Hamilton manda pro asturiano quando seus caminhos se cruzam. Pé pesado demais, ou Hamilton está querendo uma grande melancia pra pendurar no pescoço?
Agora a decisão do campeonato, conforme eu pedi no meu último post sobre Fórmula 1, virá ao Brasil. No dia 2 de novembro, Lewis Hamilton e Felipe Massa travarão um duelo no autódromo de Interlagos pelo título mundial de pilotos da F1. Hoje, Hamilton tem uma vantagem de 7 pontos sobre Massa – por um acaso do destino, a mesma vantagem que o separava de Kimi Raikkonen no ano passado nesta mesma altura do campeonato. O atual campeão do mundo encontrava-se na mesmíssima situação matemática.
Não convém discursar sobre o quanto Massa ou Hamilton foram prejudicados por falhas absurdas do equipamento, da equipe ou de si mesmo. Estes pormenores sempre caem por água com o passar do tempo, e creio que os fatos mais contundentes permaneçam quando alguém for falar do campeão de 2008. No caso de Hamilton, sua exemplar (mas nem tanto) regularidade no pódio faz dele um somador de pontos nato. Podem falar o que quiserem, mas analisando as tabelas de pontos dos campeonatos de 2007 e 2008, Hamilton perdeu e pode perder claramente por causa de seu único defeito: afobação. Contudo, olhando de perto, ele deu dois ou três exemplos nesta temporada de que este problema está sendo resolvido.
Enquanto isso, Felipe Massa tem picos de desempenho e desta vez, sua onda alta esteve presente por um tempo maior que no ano passado e por causa disto, é o único que pode tirar a coroa de Hamilton em 2008. Se esta análise fria for verdadeira, é praticamente impossível vermos Massa campeão em 2008. Seu adversário vem corrigindo aos poucos uma postura que me lembra um certo bigodudo que ganhou seu único título mundial pela Williams em 1992 (o que me leva a crer que este seria um mal típico de alguns ingleses).
Olhando as tabelas de forma matemática, Massa e a Ferrari estão em declínio de desempenho após o GP de Cingapura enquanto Hamilton e a McLaren mantém sua regularidade e o piloto corrige sua síndrome Nigeliana. Somente uma anormalidade pode influenciar no resultado agora a favor de Felipe Massa.
E não é uma anormalidade de peças, do rapaz que libera o piloto no pit-stop ou no clima. É uma anormalidade bem mais complexa, envolvendo seres humanos. Massa e a Ferrari devem ressurgir das cinzas e pulverizar o cronômetro em Interlagos, sem deixar a mínima margem de chances para a McLaren e seu piloto prodígio pensarem em ocupar a P1 ou P2. A McLaren de Hamilton deve pela primeira vez decepcionar em desempenho, confiabilidade ou trabalho de equipe, enquanto o próprio Lewis deve esquecer que está em tratamento pela síndrome Nigeliana e deixar escapar aquela gafe típica do final da temporada passada – coisa que demonstrou ainda ser capaz de fazer com propriedade no GP do Japão.
Ou seja, para Massa levar o caneco (para usar uma expressão futebolística) ele precisa contar com no mínimo três anormalidades, três coisas que muito raramente aconteceram. Apenas uma delas pode ser alcançada pelo Felipe, as outras duas estão fora de seu alcance. E agora? Será que teremos um semi-milagre em Interlagos como tivemos ano passado? O raio cairá duas vezes no mesmo lugar?
Faltando três corridas para o final da temporada 2008, a toda-poderosa Ferrari está fora da liderança de ambos os campeonatos. Com uma série de erros cometidos em 2008, a Scuderia Vermelha hoje assiste a McLaren Mercedes com suas flechas prateadas (alguns diriam, Ferraris prateadas) sentada na liderança.
No campeonato de pilotos, o líder Lewis Hamilton conquistou 5 poles, 4 vitórias, não pontou em 3 GPs e somou 84 pontos. A líder McLaren, contando com os 51 pontos conquistados pelo 6° colocado Heikki Who Kovalainen, totaliza 135 pontos no campeonato de construtores.
O vice Felipe Massa conquistou 5 poles, 5 vitórias, não pontou em 5 GPs e somou 77 pontos. A vice Ferrari, contando com os outros 57 pontos conquistados pelo campeão do mundo e atual 4° colocado Kimi Vodka Raikkonen, totaliza 134 pontos.
Restam 3 GPs no calendário 2008 da Fórmula 1. Em 2007, elas foram vencidas por Lewis Hamilton (GP do Japão) e Kimi Raikkonen (GP da China e Brasil). Neste ano, Hamilton não parece estar disposto a jogar tudo na privada como fez ano passado, marcando apenas 2 pontos nos últimos 2 GPs.
Se fizermos as contas, não basta que Massa fique a frente de Hamilton nas próximas 3 provas, pois com 7 pontos de vantagem, se o inglês estivesse sempre uma posição atrás, ainda assim terminaria o campeonato com 1 ponto de vantagem. O mais óbvio, então, foi o que a Ferrari decidiu almejar.
Domenicali, o incompetente chefe da Scuderia Ferrari, declarou a estratégia dos vermelhos: fazer as famigeradas dobradinhas (vocábulo buenístico) nas próximas 3 provas do campeonato. Neste cenário, considerando que pelo menos em uma das dobradinhas o brasileiro fique à frente do companheiro finlandês e atual campeão mundial, Massa somaria 26 pontos (e Raikkonen somaria 28), deixando para Hamilton um total possível de apenas 18 pontos a ser disputado com os outros pilotos.
Na temporada passada, Hamilton levou 12 pontos possíveis das últimas três provas, Raikkonen levou 26 e Massa, 17. Se o trio repetir a performance de 2007, o título fica nas mãos do inglês Hamilton. E agora?
Raikkonen acordará do coma alcoólico e voltará a pontuar após 4 GPs no limbo? Uma coisa é certa: um desempenho digno de campeão por parte do Kimi agora seriam quatro mãos nas rodas para o brasileiro Felipe Massa. Mas só o tempo irá dizer.
Só podemos esperar que vença o melhor, e que a decisão venha sim para o último GP, que será realizado em Interlagos, Brasil. Minha torcida vai para o Felipe Massa (com dedos cruzados para um replay das afobações de Lewis no ano passado).