Arquivar

Archive for Setembro, 2008

Fórmula 1 2008

Faltando três corridas para o final da temporada 2008, a toda-poderosa Ferrari está fora da liderança de ambos os campeonatos. Com uma série de erros cometidos em 2008, a Scuderia Vermelha hoje assiste a McLaren Mercedes com suas flechas prateadas (alguns diriam, Ferraris prateadas) sentada na liderança.

No campeonato de pilotos, o líder Lewis Hamilton conquistou 5 poles, 4 vitórias, não pontou em 3 GPs e somou 84 pontos. A líder McLaren, contando com os 51 pontos conquistados pelo 6° colocado Heikki Who Kovalainen, totaliza 135 pontos no campeonato de construtores.

O vice Felipe Massa conquistou 5 poles, 5 vitórias, não pontou em 5 GPs e somou 77 pontos. A vice Ferrari, contando com os outros 57 pontos conquistados pelo campeão do mundo e atual 4° colocado Kimi Vodka Raikkonen, totaliza 134 pontos.

Restam 3 GPs no calendário 2008 da Fórmula 1. Em 2007, elas foram vencidas por Lewis Hamilton (GP do Japão) e Kimi Raikkonen (GP da China e Brasil). Neste ano, Hamilton não parece estar disposto a jogar tudo na privada como fez ano passado, marcando apenas 2 pontos nos últimos 2 GPs.

Se fizermos as contas, não basta que Massa fique a frente de Hamilton nas próximas 3 provas, pois com 7 pontos de vantagem, se o inglês estivesse sempre uma posição atrás, ainda assim terminaria o campeonato com 1 ponto de vantagem. O mais óbvio, então, foi o que a Ferrari decidiu almejar.

Domenicali, o incompetente chefe da Scuderia Ferrari, declarou a estratégia dos vermelhos: fazer as famigeradas dobradinhas (vocábulo buenístico) nas próximas 3 provas do campeonato. Neste cenário, considerando que pelo menos em uma das dobradinhas o brasileiro fique à frente do companheiro finlandês e atual campeão mundial, Massa somaria 26 pontos (e Raikkonen somaria 28), deixando para Hamilton um total possível de apenas 18 pontos a ser disputado com os outros pilotos.

Na temporada passada, Hamilton levou 12 pontos possíveis das últimas três provas, Raikkonen levou 26 e Massa, 17. Se o trio repetir a performance de 2007, o título fica nas mãos do inglês Hamilton. E agora?

Raikkonen acordará do coma alcoólico e voltará a pontuar após 4 GPs no limbo? Uma coisa é certa: um desempenho digno de campeão por parte do Kimi agora seriam quatro mãos nas rodas para o brasileiro Felipe Massa. Mas só o tempo irá dizer.

Só podemos esperar que vença o melhor, e que a decisão venha sim para o último GP, que será realizado em Interlagos, Brasil. Minha torcida vai para o Felipe Massa (com dedos cruzados para um replay das afobações de Lewis no ano passado).

De boa na garoa

“Enquanto viver, amor e ódio farão parte do ser humano. O tempo passa, mas os sentimentos são como ondas a vibrar continuamente, ora altas ora baixas. O mundo é um contínuo marulhar. Pequenos peixes cantam e dançam, nadam espertamente ao sabor das ondas que vêm e vão. Quem no entanto é capaz de saber o que se passa nas recônditas profundezas desse mar sem fim? Quem algum dia já mediu sua exata profundidade?”

Yoshikawa consegue terminar seu romance “Musashi” com palavras que vão muito além de qualquer contexto apresentado durante seus volumosos capítulos. Em minha interpretação, é marcante a afirmação de que o tempo é incontrolável, e segue sempre em frente em linha reta, porém os sentimentos – característica humana por si só – vibram, deformando nossa percepção do próprio tempo e talvez até de nós mesmos, e sendo assim, como não afirmar que deformam a percepção do mundo à nossa volta.

Nosso ponto superficial mais fraco então seria aquele preciso momento no qual a onda dos sentimentos encontra-se em seu mais baixo ponto, sendo assim nosso ponto superficial mais forte o exato oposto. Mas, quem dirá com certeza o alcance do desvio, uma vez que ninguém jamais mediu a profundeza exata deste oceano às vezes turbulento, às vezes pacífico, que é o ser humano?

CategoriasLivros Tags:,

Zeitgeist

(Para os incautos: há uma página nova no meu blog, no menu à direita: Myles Campanella)

O espírito do tempo – tradução livre deste termo alemão, é o título de um documentário assaz interessante. Não cabe a mim defender ou atacar a veracidade dos fatos apresentados no filme.

Porém a lucidez e a lógica imperam nas conclusões e interligações feitas entre os fatos, crédito para o criador deste projeto. Estou com 10% das legendas novas em Pt-BR concluídas, pois não suportei a tosquice da legenda (nada pessoal contra o tradutor) e a ingenuidade da tradução que está disponível no Google Videos.

Sei que hoje em dia os senhores não têm tempo nem para peidar, mas lembrem-se que um cigarro reduz sua vida em 2 minutos, uma garrafa de bebida alcoólica reduz sua vida em 4 minutos e um dia de trabalho reduz sua vida em 8 horas. Assistir esse filme vai reduzi-la em apenas 2 horas, então vale a pena tentar.

CategoriasMomento revolta Tags:,

Sobre música

Cabe antes de mais nada definir música, que é nada além da sucessão de sons e silêncio organizada ao longo do tempo. Ela é praticada e conhecida desde a pré-história e confunde-se com a própria cultura em sua mais básica definição, portanto estamos falando de algo bem mais velho que informática, filosofia ou política. Colocando os pingos nos is, a música sendo uma combinação de elementos sonoros, inclui por conseqüência em sua essência variações do som tais como altura, duração, timbre e intensidade, variações estas que podem ocorrer sequencialmente e/ou simultaneamente, gerando assim os conceitos de ritmo, melodia e harmonia – apenas no seu sentido de organização temporal, pois podemos encontrar harmonias ruidosas e arritmias propositais na música.

E é exatamente aqui que começarei a soltar o verbo. Fazer música é organizar as variações do som, produzido através de inúmeros meios. O compositor, de qualquer maneira, tem um motivo para compor sua música. E invariavelmente o compositor tem também um objetivo, uma vez que tem um motivo. Tirando de pauta a discussão sobre música ser arte ou não, ocorre que a música é um sinal enviado pelo emissor, através de um canal e código, a um receptor. Cabe então ao receptor, utilizando-se principalmente do sentido da audição, interpretar a mensagem.

Neste cenário, não podemos então nos surpreender que a música constituída de pobre e tacanha organização, organização esta copiada e resumida cada vez mais, seja a mensagem preferida de milhões e milhões de receptores hoje em dia. A percepção musical não é mais estimulada nem disciplinada, gerando em conseqüência infinitos ouvidos despreparados para interpretar qualquer organização mais requintada ou complexa. E convenhamos, sabendo da complexidade e requinte de nossos sentimentos e idéias, está para nascer o compositor que conseguirá transpor sua essência humana, sua vontade de comunicar, para dentro de uma música pobre, simplória e descompromissada.

Não estou dizendo que a música simples seja lixo sonoro. Estou dizendo que ouvir apenas e exclusivamente música simples é ter um cérebro digno de se jogar no lixo, isso sim. Mas o que seria isso se não um reflexo da massificação, densificação e simplificação de todo o significado nos tempos modernos?

Que me desculpe a oposição, mas música de elevador é boa para elevador, o qual nem um par de ouvidos tem. Eu quero mais é música, compromissada, verdadeira, cheia de propósito e vontade de comunicar. Vestir um bando de homens de meia-idade como adolescentes babacas, plagiar velhas e cansadas organizações de variações de som (leia-se música) e ainda por cima adicionar letras tão babacas, velhas, cansadas e plagiadas quanto a música que as embalam é chamar a todos nossos ouvidos de pinico.

Mas a maioria de nós não se importa. A maioria é incapaz de interpretar ou até ler meia página de um bom livro, então o que podemos esperar que ela ouvirá ou interpretará de meio minuto da Sinfonia nº40 em Sol Menor composta por Mozart? Veja bem, não estou dizendo que uma pessoa deve ouvir apenas música erudita do período Clássico, mas não precisamos entregarmo-nos ao fedor da decomposição dos defuntos da música popular moderna, aos restos comerciais reciclados e produzidos a custo baixíssimo, jogados para dentro de nossos ouvidos.

Em suma, tenho duas perguntas, a primeira um tanto quanto retórica:

1) Você come lixo? Não, você respeita sua boca e seu aparelho digestivo.
2) Então por quê, diabos, alguém se prestaria a alimentar sua mente, através de seus ouvidos, com lixo?

Quem sanar minha dúvida ganhará minha eterna gratidão.

CategoriasMúsica Tags:,

Vai sonhando, camaradinha

Enquanto seus dedos magros se fecham em torno de mim
Longos e delgados, eu me torno a própria morte
Céus, você pode ver o que eu vejo?

Ei você, criança pálida e doente
Você é a morte e a vida reconciliadas
E tem andado de volta pra casa num caminho tortuoso

Pagando sua dívida para o karma
Você vive de festa
O que você recebe não te matará
Mas tenha cuidado com o que você dá

Você pode sentir um pouco de amor?
Você pode sentir um pouco de amor?
Vai sonhando, vai sonhando

Não há mais tempo para hesitação
A dor está pronta, está esperando
Pronta para dar-lhe uma lição

Parentes indesejados e não convidados
Rastejam sob sua pele te irritando
Eles vivem sem, vivem dentro de você

Sinta a febre chegando
Você está tremendo, se contraindo
Você pode se coçar inteira
Mas não vai parar com a coceira

Você pode sentir um pouco de amor?
Você pode sentir um pouco de amor?
Vai sonhando, vai sonhando

Culpe sua maldição kármica
Oh, a culpa é do universo
Ele sabe suas falas
Tudo está muito bem ensaiado

Ele te puxou, te arrastou pra baixo
Até onde não há terra santa
E onde não se encontra nunca a santidade

Pagando sua dívida para o karma
Você vive de festa
O que você recebe não te matará
Mas tenha cuidado com o que você dá

Você pode sentir um pouco de amor?
Você pode sentir um pouco de amor?
Vai sonhando, vai sonhando