Ouvido na porta
Acabei xeretando demais e ouvi a conversa dos meus amigos imaginários, quando coloquei meu ouvido na porta.
Você acha que isso é violência? Vou te falar o que é violência.
Quantidade sobre qualidade. Quantidade.
Eles estão lá fora, te observando. Olhando pra dentro de sua caixa de vidro, sua cela. Ninguém que te ensinou que você pode quebrar o vidro? Você não quer.
Qualidade? Não, quantidade sobre qualidade.
Agora nós sabemos onde eles estão. Agora o pano não está mais sobre a mesa.
Aqui você sabe como funciona. É mentira, ilusão e enganação, pra alimentar sua mediocridade e te tirar dessa posição de pedaço de carne apodrecendo aos poucos. Lentamente, como se alguém lá em cima estivesse observando você se retorcer vagarosamente.
Dinheiro e expansão. Expansão da violência, a violência invisível. A nossa violência.
Quantidade. Queremos mais mediocridade. Queremos quantidade.
O diamante é tudo aquilo que não existe. Você tem um diamante? Olhe-me nos olhos.
Mantenha distância. Seu cheiro pode acabar comigo, somos todos a escória fragilizada por nossa impossibilidade de enxergar.
Olhe-me nos olhos. Quantidade sobre qualidade.
Você não pode esperar pelo amanhã. Pare de se debater, não há escolha. Comporte-se e faça o que eu mando, e prometo que tudo vai doer menos.
É o diamante nos seus olhos. É a qualidade. E onde eles estão? Levante o pano e verá. Mas não crie expectativas, nenhum está junto com você. Ninguém. Nunca.
Respire fundo. A guerra nem bem começou. Não apague seu diamante desses olhos cansados.
Levante-se, queremos quantidade sobre qualidade. Vamos cuidar desse diamante, vamos fazê-lo voltar ao carvão.
Você quer falar sobre violência?
Afaste-se de mim, eu ouvi dizer. Eu os ouvi dizer que nunca querem ser um.
Mais perto, assim. O diamante não permite que eu veja o fundo da sua mente. O que é aquilo? Você está sentado esperando? Sim, você está. E a guerra continua.
dude…
muito bom…
por que vc não faz uma arte oficial para inserir essa reflexão?
k tks bai