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Ei, você
Ei você, parado aí na estrada, sempre fazendo o que te mandam
Você pode me ajudar?
Ei você, aí fora do outro lado do muro, quebrando garrafas na sala
Você pode me ajudar?
Ei você, não me diga que não há mais esperança alguma
Juntos nós venceremos
Divididos, caímos.
Ouvido na porta
Acabei xeretando demais e ouvi a conversa dos meus amigos imaginários, quando coloquei meu ouvido na porta.
Você acha que isso é violência? Vou te falar o que é violência.
Quantidade sobre qualidade. Quantidade.
Eles estão lá fora, te observando. Olhando pra dentro de sua caixa de vidro, sua cela. Ninguém que te ensinou que você pode quebrar o vidro? Você não quer.
Qualidade? Não, quantidade sobre qualidade.
Agora nós sabemos onde eles estão. Agora o pano não está mais sobre a mesa.
Aqui você sabe como funciona. É mentira, ilusão e enganação, pra alimentar sua mediocridade e te tirar dessa posição de pedaço de carne apodrecendo aos poucos. Lentamente, como se alguém lá em cima estivesse observando você se retorcer vagarosamente.
Dinheiro e expansão. Expansão da violência, a violência invisível. A nossa violência.
Quantidade. Queremos mais mediocridade. Queremos quantidade.
O diamante é tudo aquilo que não existe. Você tem um diamante? Olhe-me nos olhos.
Mantenha distância. Seu cheiro pode acabar comigo, somos todos a escória fragilizada por nossa impossibilidade de enxergar.
Olhe-me nos olhos. Quantidade sobre qualidade.
Você não pode esperar pelo amanhã. Pare de se debater, não há escolha. Comporte-se e faça o que eu mando, e prometo que tudo vai doer menos.
É o diamante nos seus olhos. É a qualidade. E onde eles estão? Levante o pano e verá. Mas não crie expectativas, nenhum está junto com você. Ninguém. Nunca.
Respire fundo. A guerra nem bem começou. Não apague seu diamante desses olhos cansados.
Levante-se, queremos quantidade sobre qualidade. Vamos cuidar desse diamante, vamos fazê-lo voltar ao carvão.
Você quer falar sobre violência?
Afaste-se de mim, eu ouvi dizer. Eu os ouvi dizer que nunca querem ser um.
Mais perto, assim. O diamante não permite que eu veja o fundo da sua mente. O que é aquilo? Você está sentado esperando? Sim, você está. E a guerra continua.
Fight Club, de Chuck Palahniuk
Hoje de manhã li as primeiras 30 melhores páginas que guardo lembrança. Vou assumir que os melhores livros que li – melhores na minha mísera opinião – tinham em suas primeiras páginas a parte mais difícil e entediante de toda a obra. Alguns apresentam caoticamente os personagens e locais, outros não apresentam nada e supõe que você já deveria saber de tudo, mas você só consegue entendê-los conforme a história se desenrola. Não é um erro, é proposital. Eu espero.
Em Fight Club (Chuck Palahniuk, 1996) a história começa de forma frenética, atemporal e caótica. A diferença de ambiente e clima do filme para o livro é gritante. O autor consegue deixar você exatamente como o personagem central: sem identidade, perdido e ao mesmo tempo, completo, vivo como cada um de nós, leitores. A intensidade dos acontecimentos e a fraqueza e franqueza dos personagens, além da crueldade e sinceridade da narrativa, deixa seu dedo com uma estranha obsessão de poder ir para a próxima página, e a próxima, e a próxima. A cada página, há pelo menos uma frase que entraria facilmente para uma coleção de citações particular – se esta existisse fisicamente.
Assim que eu terminar de ler este livro, vou comprá-lo. Estou com uma cópia estrangeira emprestada do Chapéu, meu querido ole horsefucker. Obrigado pelo empréstimo.
Estou ansioso pra saber se as primeiras 30 melhores páginas terão em breve sua descrição mudada para as 218 melhores páginas já lidas.
E foi assim que conheci Tyler.

