Eu te desafio
Gostaria de deixar registrado meu agradecimento pela menção feita no O Boêmio, o blog do Alexandre (acesse ele na lista de amigos não imaginários ao lado) e aproveitar para continuar falando um pouco dessa distorção da realidade que vemos hoje em dia.
Para Jean Baudrillard (descanse em paz) o simulacro, ou seja, a cópia sem original dessa realidade em que vivemos, nos torna fanáticos pela hiperrealidade, postada no terceiro nível do que seria a teia em que nos encontramos. Apesar de muitos acharem cuzisse bobagem, eu quero que se foda e vou citar sim a trilogia Matrix. É bocó, e por ser bocó e popular vou usá-la como interface entre a teoria e o que eu quero expressar. Duvido que alguém não tenha assistido. Se você ainda não assistiu foda-se ficará boiando. Lembro a todos que esse não é exatamente o roteiro e a história do filme, mas eu estou usando-o como interface, e não explicando a tão manjada trama da trilogia.
A hiperrealidade é a Matriz. É o mundo simulado na mente dos seres humanos para que, enquanto eles são enganados que aquilo é a vida deles, aquele é o mundo deles, eles sejam usados como baterias de 9 volts pelas máquinas (sic). Ele é simulado pois havia a realidade antes, e dela foi copiada a Matriz. Por um acaso, é exatamente por isso que o nome dessa simulação é Matriz.
O simulacro é o chamado Mundo Real, onde há Sião aka Zion. Se você esforçou-se em entender as entrelinhas do roteiro do filme, o que não requer muita inteligência, você deve ter percebido que o Mundo Real também é uma realidade virtual, ou seja, não é a realidade em si. Ele é um simulacro pois não havia uma realidade parecida antes, e dessa realidade não real foi copiado o Mundo Real. Por um acaso, é exatamente por isso que o nome dessa simulação é Mundo Real.
E por fim, vem o Original. E este é exatamente o lugar onde nunca vamos chegar. Nunca vamos modificar. Ele é a pureza. Ele é a fonte. Não vamos chegar aqui, pois se não formos enganados pelos sentidos na hiperrealidade, seremos inevitavelmente no simulacro. Estamos para sempre selados longe desse paraíso. Deixamos que isso acontecesse. Agora, agüenta as conseqüências, porra.
Contente-se em estabelecer a si próprio e a treinar e apurar valores e virtudes como se você estivesse no Original. Você consegue. Aqueles que não o fazem – e representam uma maioria massiva, tal qual a torcida do Curíntcha perto da torcida do São Bernardo Sport Club – vão tratar de botá-lo à margem, como um estranho no ninho. Mas, filhão, use a porra da massa cinzenta que lhe é peculiar e tão aclamada por nos diferenciar dos outros animais mimimi e engane-os. Seja mais malandro que eles. Acerte-os na face vestido em sua luva de pelica. Divirta-se. Ria-se por dentro. Eu te desafio.
Suba um degrau. Torne-se a si mesmo um ser hiperreal, um simulacro, e viva sua originalidade. Seja verdadeiro. Cuspa na banalização, mas não deixe ninguém pegá-lo. Já que eles querem brincar de quem é mais sagaz, destrua-os em grande estilo.
Aceita o desafio?
Dude, belo post.
Esse conceito de “Original” como algo perfeito me lembra muito o “Mundo das Idéias”, do Platão, que parcamente li sobre. Na verdade tudo que experimentamos – ou experienciamos – é uma cópia de algo perfeito, que ficaria nesse Mundo das Idéias.
Se um filósofo ler isso que eu escrevi provavelmente me amaldiçoará por todo o tempo, mas é assim que eu consigo me expressar, pombas.
E sim, temos que desafiar essa condição estúpida que nos vem sendo imposta per omnia seculo seculorum. Preciso reler o Mito de Sísifo, do Camus – vejo muito do conceito de Absurdo dele em tudo isso que estamos discutindo; ou tou na nóia, sei lá…
Alexandre… se vc acha que seria amaldiçoado, olhe o meu blog…. acho que eu já posso trocar meus créditos de macumba por um carro 0 de tanta merda que eu falo….
Gus,
Nós já conversamos isso pra caralho, mas teve uma frase que apareceu na minha cabeça enquanto eu lia o texto:
“Se é debativel, discutível ou descritível, já não é ‘real’”
Achei profundo e discutível (rs)….
Mais um post do caralho com o certificado “Gus Cavanhaque de Bode”.
(precisamos de um logo heheheh)